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Polícia

Pai de ‘Marcelinho da FDN’ é executado com 9 tiros no Centro de Manaus

Marcelo Frederico Laborda, 51, caminhava pela avenida 7 de Setembro, quando foi surpreendido por pistoleiros em um carro branco

Marcelo Frederico Laborda, 51, morreu com nove tiros no tórax (Foto: Reprodução)

Manaus – Com nove tiros, o aposentado Marcelo Frederico Laborda, 51, foi executado na manhã desta sexta-feira (28), na avenida 7 de Setembro, no bairro Centro, na Zona Sul de Manaus. Na mesma ação criminosa, uma mulher também ficou ferida. Outras quatro pessoas já morreram na região. 

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A ocorrência foi atendida por policiais militares da 24ª Companhia Interativa Comunitária (Cicom). Testemunhas relataram que Marcelo Laborda caminhava nas proximidades do Palácio Rio Branco, quando três homens em um carro branco chegaram ao local.

Dois ocupantes desceram atirando contra Marcelo, que ainda chegou a correr, mas acabou atingido e caiu atrás de um carro estacionado. Após o tiroteio, ele foi socorrido por familiares e levado para o Serviço de Pronto Atendimento (SPA) São Raimundo, na Zona Oeste, o qual deu entrada sem vida.

Conforme informações da polícia, Marcelo foi atingido com nove tiros no tórax. O corpo seguiu para exames de necropsia no Instituto Médico Legal (IML), situado no bairro Cidade Nova, na Zona Norte.

Durante o atentado, uma mulher que tomava café antes de ser atendida para retirar uma carteira na Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap) foi baleada na perna.

A vítima foi socorrida por populares até o Hospital e Pronto-Socorro (HPS) 28 de Agosto, no bairro Adrianópolis, na Zona Centro-Sul. Ela passou por cirurgia e está fora de perigo.

Marcelo Laborda

Maria Cléia, Marcelinho (centro) e Charles foram presos na operação “Guará”(Fotos: Divulgação)

Marcelo Frederico Laborda é pai do traficante Marcelo Frederico Laborda Júnior, conhecido como “Marcelinho”, um dos líderes da facção criminosa Família do Norte (FDN), que foi preso no dia 26 de julho de 2019, em Florianópolis, na operação “Guará” deflagrada pela Divisão Especializada em Investigação e Combate ao Crime Organizado (Deicor) de Santa Catarina e Departamento de Repressão ao Crime Organizado (DRCO) do Amazonas.

Na mesma ação policial, foram presos Maria Cléia Fernandes Barbosa, esposa de “Marcelinho” e Charles dos Santos Rodrigues, vulgo “Bebê da FDN”. Os dois são respectivamente irmã e sobrinho do narcotraficante José Roberto Fernandes Barbosa, o “Zé Roberto da Compensa”, o principal líder da FDN.

Nas investigações, o trio foi apontado por causar “racha” na cúpula da organização criminosa e nas mortes dos 55 detentos, ocorridos nos dias 26 e 27 de maio de 2019, em quatro unidades prisionais do Amazonas. A operação “Guará” ainda prendeu mais 17 pessoas do alto escalão da FDN foram presas em cinco estados brasileiros.

A polícia obteve informações que Marcelo Laborda morava no bairro Centro, que atualmente está sendo disputado pelas facções criminosas Comando Vermelho (CV), Primeiro Comando da Capital (PCC) e FDN.

Em vida, Marcelo Laborda fez duras críticas após a prisão do filho (Foto: Divulgação)

Conforme informações da polícia, com a prisão do filho, a suspeita é que Marcelo Laborda passou gerenciar os negócios do tráfico na região. Ele também passou exigir direitos para “Marcelinho” e fazer duras queixas pelas redes sociais contra as medidas adotadas pela Justiça. Em uma das mensagens ele dizia: “Não as audiências de custódia virtual”.

Em 2018, Marcelo Laborda disputou as eleições gerais para deputado estadual pelo Partido Popular Socialista (PPS), que foi extinto para o surgimento do Partido Social Progressista (PSP). No pleito, ele garantiu 657 votos e não foi eleito.

Marcelo Laborda foi motorista da antiga Sejus (Foto: Reprodução)

Marcelo Frederico também trabalhou como motorista da antiga Secretaria da Justiça (Sejus), atualmente Secretaria de Estado de Justiça, Direitos Humanos e Cidadania (Sejusc). Em 2006, ele publicou uma foto como servidor do órgão estadual.

Mortes

De 06 a 28 de agosto deste ano, o bairro Centro registrou cinco mortes. A região que antes pertenceu à FDN, passou ser dominada pelo CV, que perdeu o controle para a facção paulista PCC. As bocas de fumo do Bairro do Céu e Nossa Senhora Aparecida também passaram a ser controladas pela facção de São Paulo.

Segundo investigações, um dos braços direitos do PCC é Felipe Batista Ribeiro, o “Anjinho”, 31. O traficante foi preso em cumprimento de mandado de prisão no dia 13 de agosto deste ano.

A polícia ainda buscas pistas para encontrar os responsáveis pela matança na região central da capital, mas não descarta que além do PCC, membros do CV também possam estar por trás dos crimes. A Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS) investiga os casos.

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