
Ex-presidente foi preso ao amanhecer; PF cumpriu decisão do STF — Foto: Josemar Antunes
Brasília (DF) – O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) foi preso preventivamente na manhã deste sábado (22), após decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A ordem foi solicitada pela Polícia Federal (PF) e cumprida por volta das 6h, diante de indícios de descumprimento de medidas cautelares e possível tentativa de fuga.
Bolsonaro estava em prisão domiciliar desde agosto e era monitorado por tornozeleira eletrônica, cuja violação foi registrada pelo sistema de controle às 0h08 deste sábado. Segundo Moraes, a convocação de uma vigília organizada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), na noite anterior, em frente ao condomínio onde o ex-presidente cumpria prisão, elevou o risco à ordem pública e poderia servir para dificultar a fiscalização policial.
Após ser detido em casa, Bolsonaro foi levado à sede da PF no Distrito Federal, chegando às 6h35. Ele passou por exame de corpo de delito no próprio local para evitar exposição, e depois foi encaminhado para uma sala de Estado, espaço reservado a ex-autoridades. Michelle Bolsonaro não estava presente no momento da prisão.
Em nota, a Polícia Federal confirmou o cumprimento do mandado expedido pelo STF. A defesa do ex-presidente declarou que ainda não havia sido formalmente notificada no momento da detenção e que irá recorrer da decisão.
Risco de fuga e manobras investigadas
Na decisão, Moraes afirmou que os episódios mais recentes repetem um “modus operandi” associado à articulação de apoiadores para criar tumulto, obter vantagem e interferir na execução penal. O ministro destacou ainda que o ex-presidente já teria tentado, durante outra investigação, planejar fuga para a Embaixada da Argentina, buscando asilo político.
Moraes citou ainda casos envolvendo parlamentares aliados — Alexandre Ramagem, Carla Zambelli e Eduardo Bolsonaro — que deixaram o país durante investigações, o que, segundo ele, reforça o risco de evasão.
O ministro observou que o condomínio onde Bolsonaro estava é distante cerca de 13 quilômetros do Setor de Embaixadas Sul, trajeto que pode ser percorrido em poucos minutos, o que aumentaria a probabilidade de fuga caso houvesse nova mobilização de apoiadores.
Contexto da prisão e histórico recente
A prisão deste sábado não está vinculada diretamente à condenação de 27 anos e 3 meses por tentativa de golpe de Estado, decisão que ainda não transitou em julgado. O motivo, segundo o STF, é o descumprimento de medidas cautelares e a necessidade de garantir a ordem pública.
Bolsonaro descumpria a prisão domiciliar desde 4 de agosto, quando Moraes determinou a medida após o ex-presidente ter usado, direta ou indiretamente, redes sociais de aliados para divulgar conteúdos considerados de ataque às instituições e de incentivo à intervenção estrangeira.
Na sexta-feira (21), horas antes da prisão, a defesa havia pedido a substituição do regime inicial fechado por prisão domiciliar humanitária, alegando que Bolsonaro apresenta “quadro clínico grave” e possui “múltiplas comorbidades”.
A defesa afirmou que recorrerá da decisão e reforçou o pedido de permanência em casa enquanto o processo não é concluído.







