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Polícia Federal deflagra operação ‘Betume’ para desarticular grupo ligado ao tráfico internacional de drogas

Operação 'Betume' resultou na prisão de oito pessoas, entre elas o chefe do grupo, um peruano e dois advogados - foto: divulgação

Operação ‘Betume’ resultou na prisão de oito pessoas, entre elas o chefe do grupo, um peruano e dois advogados – foto: divulgação

A operação ‘Betume’, da Delegacia de Repressão a Entorpecentes da Polícia Federal (PF), deflagrada, na manhã de quinta-feira (13), resultou na prisão de oito pessoas, entre elas o chefe do grupo, um peruano e dois advogados, cujos nomes não foram revelados. A ação com objetivo de desarticular organização criminosa ligada ao tráfico internacional de drogas, também ocorreu nos estados do Pará e Paraná.

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De acordo com a PF, o bando era bastante sofisticado e costumava transportar cocaína pura em grande quantidade dentro de cilindros. As peças metálicas eram levadas para o exterior, dificultando a detecção de entorpecentes por meio de raios-x ou cães farejadores.

A operação contou com 100 agentes da PF, onde foram cumpridos seis mandados de prisão preventiva, dois mandados de prisão temporária, oito mandados de busca e apreensão, sete mandados de condução coercitiva, além de mandados de sequestro e bloqueio de bens – móveis e contas bancárias, expedidos pela Justiça Federal do Amazonas. Durante a ação, oito pessoas da organização criminosa foram presas e 15 delas foram ouvidas na sede da PF.

Por meio de nota, a PF informou que os cumprimentos dos mandados foram em Manaus e Tabatinga (a 108 quilômetros da capital amazonense), Tomé-Açu (PA) e Curitiba (PR).
“As diligências ainda estão em andamento. Durante a operação, três veículos, documentos e drogas armazenadas em transformadores e cilindros foram apreendidos”, disse o delegado Rafael Caldeira.

O delegado da PF Caio Avanço, da DRE, disse que os dois advogados, presos, em Tabatinga e em Manaus, faziam parte do bando auxiliando a organização criminosa com contratos de pessoas jurídicas, além de prestar serviço com contatos de pessoas envolvidas com o narcotráfico.

“A quadrilha conseguia fazer a lavagem de dinheiro através de pessoas físicas e jurídicas. O peruano comprava as peças metálicas pesadas licitamente e depois armazenava as drogas nesse material”, explicou o delegado Caio Avanço.

Avanço ressaltou que as drogas eram de origem da tríplice fronteira entre Brasil, Colômbia e Peru. Os entorpecentes saiam dessa região e chegavam a Manaus, onde eram ocultados em maquinários.

“O grupo armazenava as drogas em cilindros, tambores de freio de caminhão, bombas hidráulicas e em manta asfáltica (cocaína diluída), para burlar a fiscalização. Depois as drogas eram distribuídas na Europa, Ásia, África, Oceania e América do Norte, onde o quilo dessa droga era vendido ao preço de 100 mil dólares”, disse Avanço.

O delegado Rafael Caldera, explicou que desde o ano passado as ações da Polícia Federal foram intensificadas para combater a organização criminosa. Em março deste ano, 79 tambores, com 30 quilos de cocaína diluída foram apreendidas no México pela polícia mexicana, através de informações da PF repassadas pela Interpol. No mesmo mês, 116 quilos da droga foram apreendidos em tambores de freio de caminhão, material que iria para Austrália, ocasião em que também foram apreendidas cargas nos Estados Unidos, Canadá e Reino Unido, por meio da cooperação internacional. Em novembro de 2015, 12,5 quilos de cocaína foram apreendidos no Brasil, que estavam ocultados em bombas hidráulicas, que seriam enviadas para o Senegal, no continente africano.

Conforme Caldeira, durante a operação foi possível identificar que algumas remessas de drogas chegaram ao destino e não foram apreendidas pela polícia.

“Para burlar a fiscalização, o grupo usava empresas, no nome de peruano e da mulher dele para fazer o transporte dessas drogas em grande quantidade. Algumas dessas remessas conseguiram chegar à China e Austrália”, explicou Caldeira.

Todos os envolvidos foram indiciados pelos crimes de tráfico internacional de drogas, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

Acompanhamento do caso

A Ordem dos Advogados do Brasil Seção Amazonas (OAB-AM) informou que designou que o Procurador Geral de Prerrogativas para acompanhasse a prisão dos dois advogados, durante a Operação Betume. Representantes da OAB-AM compareceram na manhã de quinta-feira (13), representantes à sede da superintendência da Polícia Federal a fim de assegurar o cumprimento das prerrogativas funcionais dos advogados.

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