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Cidades

Em Manaus, morte de motorista gera paralisação e 150 mil usuários são afetados

 A paralisação ocorreu em protesto por causa da morte do motorista - foto: Lucas Pereira/Diário Manauara

A paralisação ocorreu em protesto por causa da morte do motorista – foto: Lucas Pereira/Diário Manauara

Funcionários da empresa Global Green Transportes paralisaram 100% da frota na manhã desta segunda-feira (14), em Manaus. O ato do protesto foi motivado após a morte do motorista Feitosa de Amorim Félix, conhecido como ‘Batatinha’, 41, esfaqueado durante um assalto, na noite de domingo (13), na Alameda Cosme Ferreira, bairro Zumbi dos Palmares, na Zona Leste. 

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A categoria reivindica melhoria na segurança pública após a morte do motorista e a onda de assaltos frenquentes dentro dos coletivos. Feitosa dirigia um ônibus da linha o93 no momento da ação criminosa.

A categoria reivindica segurança dentro dos coletivos - foto: Lucas Pereira/Diário Manauara

A categoria reivindica segurança dentro dos coletivos – foto: Lucas Pereira/Diário Manauara

A motorista Rita de Cássia, 55, contou que foi assaltada uma vez e foi xingada pelos assaltantes, que agem sempre de muita violência e ameaças.

“Não queremos prejudicar a população, mas exigir das autoridades resposta quanto a segurança. A gente corre risco de assalto e quando acontece somos xingados de vagabundo com arma apontada na cabeça. Usuários e funcionários infelizmente estão a mercê da bandidagem, pois segurança não exite”, reclamou Rita de Cássia.

Ao todo, 250 ônibus da empresa Global Green atende usuarios na Zona Leste de Manaus - foto: Lucas Pereira/Diário Manauara

Ao todo, 250 ônibus da empresa Global Green atende usuários na Zona Leste de Manaus – foto: Lucas Pereira/Diário Manauara

Quem também viveu situações humilhantes foi a cobradora Socorro gomes, 55. Segundo ela, foi assaltada quatro vezes durante o trabalho.

“A gente sai para trabalhar e não sabe se volta para casa. Os criminosos são agressivos e xingam, mas o risco se torna maior quando não tem renda”, desabafou Socorro Gomes.

O motorista Joel Pereira de Souza, 61, contou que trabalha há 19 anos na empresa e foi já alvo de 14 assaltos.

“Esatamos trabalhando com a sorte. Os bandidos entram nos coletivos com falso passageiros e depois anunciam o assalto. As fiscalizações surgem por um ou dois dias, e depois só retornam quando tem morte ou assalto”, lamentou.

O diretor da associação dos rodoviários Nogueira Félix, disseu que a paralisação teve início por volta das 4h30. Segundo ele, há previsão para a retomada de serviços vai depender de uma resposta da empresa e da Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM).

“O que estamos querendo é que as autoridas façam sua parte e evite que esses criminosos fiquem soltos pelas ruas tirando avida de pais de famílias. Precisamos trabalhar com segurança e não com a sorte para voltar com vida para casa depois de uma jornada de trabalho”, declarou Nogueira Félix.

Devido a paralisação, usuários se aglomeraram em ponto de ônibus. Inês Farias, 39, que mora no bairro São José e trabalha no Centro de Manaus, disse que concorda com o ato dos funcionários.

“Eu não vou tirar a razão dos funcionários, pois, além dos motoristas e cobradores, os passageiros também são alvos da criminalidade. Eu mesma já fui asssaltada e passei dias traumatizada com a situação”, disse.

Os ônibus começaram a circular por volta de 8h40.

Por meio de nota, o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Amazonas (Sinetram) informou que cerca de 150 mil pessoas da Zona Leste foram afetadas por conta da paralisação. A Global Green possui uma frota de 250 ônibus e um quadro de 1.300 funcionários.

“Sinetram e a empresa entendem a revolta dos colaboradores por conta da insegurança e também tem tentado, junto aos órgãos policiais, buscar medidas para a redução desses crimes. A Global Green está conversando com os colaboradores e espera retornar as atividades o mais rápido possível, para que a população não seja mais prejudicada”, informou a nota do Sinetram.

O crime

Os suspeitos foram surrados pelos passageiros do ônibus - foto: divulgação

Os suspeitos foram surrados pelos passageiros do ônibus – foto: divulgação

O motorista Feitosa de Miranda Félix, 41, foi morto com duas facadas, na noite de domingo (13), por volta das 20h, no momento em que dirigia um ônibus da linha o93, que faz trajeto do bairro Puraquequara ao Termainal de Integração 5 (T5), no bairro São José, Zona Leste.

Segundo informações da polícia, os irmãos Adaílton Farias Nunes, 24, e Isaías Farias Nunes, 19, entraram no coletivo nas mediações da Unidade Prisional do Puraquequara (UPP). Ao chegar na Alameda Cosme Ferreira, bairro Zumbi dos Palmares 2, Zona Leste, a dupla anunciou o assalto.

Feitosa foi atingido com duas facadas, sendo uma nas costas e outra na barriga. A cobradora Maria Olinda Cardenes Bargues, 56, foi agredida, mas conseguiu fugir e pedir ajuda de populares.

Nesse momento, alguns passageiros conseguiram dominar os bandidos e começaram a agredir com socos e chutes. Os criminosos foram castigamente surrados, ficando por alguns minutos desacordados em via pública.

Em meio a muito sangue, os suspeitos precisaram de atendimento médico. Equipes do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foram acionados. Os criminosos, asimo como o motorista e a cobradora forma levados para o Pronto-Socorro (PS) Dr. João Lúcio, mesma zona da cidade.

Após receberam atendimento médico na unidade hospiltar, os bandidos tiveram dificuldades para entrar em uma viatura da Polícia Militar, mesmo com um cordão de isolamento feito por soldados do Ronda Ostensiva Cândido Mariano (Rocam).

A dupla foi novamente agredida por populares.  Para conter a revolta das pessoas, os policiais militares tiveram que usar spray de pimenta para dispersar a multidão.

Depoimento

Na manhã desta segunda-feira (14), a cobradora Maria Olinda, ainda em estado de choque, prestou esclarecimentos sobre o caso no 14º Distrito Integrado de Polícia (DIP).

De acordo com o titular da unidade policial, delegado Gerson Oliveira, a cobradora contou que o ônibus estava praticamente vazio, quando a dupla anunciou o assalto e começou a pegar celulares e objetos de valores dos passageiros, além de uma quantia de R$ 55 da renda do coletivo.

A dupla ao sair do coletivo, pediu para o motorista parar o veículo, mas a porta travou, o que fez com que os criminosos bastante nervosos pensasse que Feitosa estivesse dificultando a saída deles. Isaías armado de uma faca começou agredir o motorista, que por sua vez se defendia. Nesse momento, Isaías desferiu as facadas contra Feitosa.

Adailton e Isaías foram autuados pelo crime de latrocínio - foto: divulgação

Adaílton e Isaías foram autuados pelo crime de latrocínio – foto: divulgação

A dupla foi autuada em flagrante pelo crime de latrocínio, roubo seguido de morte. Eles serão encaminhados para o Centro de Detenção Provisório Masculino (CDPM), no quilômetro 8 da rodovia BR-174, que liga Manaus a Boa Vista.

Velório

O velório do motorista assassinado, ocorre em uma igreja evangélica da Assembleia de Deus, localizado na Avenida Mirra, Comunidade João Paulo 2, bairro Jorge Teixeira, Zona Leste. O sepultamento será realizado na terça-feira (15), no Cemitério Parque Tarumã, Zona Oeste da capital.

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