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Política

Flávio é questionado na Globo sobre propostas e polêmicas

Senador falou sobre economia, segurança pública, jornada de trabalho e relação com Daniel Vorcaro

Flávio é questionado na Globo sobre propostas e polêmicas

Flávio Bolsonaro é cobrado por propostas e enfrenta questionamentos na Globo. (Foto: Reprodução/TV Globo)

O senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência da República, foi entrevistado pela TV Globo na noite de sexta-feira (16) e abordou temas como economia, segurança pública, jornada de trabalho e sua relação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Durante a sabatina, o parlamentar também contestou a classificação dos atos de 8 de janeiro de 2023 como tentativa de golpe de Estado e apresentou propostas sem detalhar como algumas delas seriam executadas.

Ao longo de pouco mais de 40 minutos, Flávio afirmou que não tentaria a reeleição caso chegasse à Presidência e voltou a defender que o pai, Jair Bolsonaro, foi alvo de perseguição política. O senador também foi questionado sobre o financiamento do filme Dark Horse e sobre declarações relacionadas às queimadas na Amazônia.

Flávio contesta condenação do pai e fala sobre o irmão

Questionado sobre a invasão e depredação das sedes dos Três Poderes, em Brasília, Flávio negou que os atos de 8 de janeiro tenham representado uma tentativa de golpe. Na ocasião, manifestantes invadiram o Congresso Nacional, o Palácio do Planalto e o Supremo Tribunal Federal (STF), além de agredirem policiais.

O senador classificou como “farsa” o julgamento que condenou Jair Bolsonaro a 27 anos de prisão. “Essa farsa, a história vai mostrar que foi totalmente armado para tentar tirar Bolsonaro da vida pública”, declarou. Ele também minimizou a participação dos manifestantes, mencionando uma mulher que carregava uma Bíblia.

Flávio afirmou que ainda não discutiu com o pai a possibilidade de ocupar um cargo em seu eventual governo. Em declarações anteriores, havia prometido conceder indulto a Jair Bolsonaro, mas não confirmou se ele integraria o Executivo.

Sobre o irmão, Eduardo Bolsonaro, que vive nos Estados Unidos, o senador descartou sua indicação para o Ministério das Relações Exteriores.

“Ele é um perseguido político”, afirmou. “Um dia será reconhecido como alguém que se sacrificou para defender a democracia”, acrescentou.

Eduardo Bolsonaro foi condenado no Brasil por coação no curso do processo, em um caso relacionado à atuação para pressionar autoridades brasileiras durante o julgamento de Jair Bolsonaro. O episódio envolveu também o tarifaço imposto pelo governo dos Estados Unidos a produtos brasileiros.

Senador muda posição sobre escala 6×1

Após se posicionar contra o fim da escala de trabalho 6×1 em meses anteriores, Flávio declarou apoio à proposta durante a sabatina. Ele afirmou que ouviu trabalhadores em diferentes regiões do país antes de tomar sua decisão.

“Eu sempre defendi mais liberdade, inclusive para os trabalhadores montarem sua jornada de trabalho. Isso pressupõe que a escala 6×1 seja extinta”, disse.

O senador também declarou que pretende manter as leis trabalhistas. Ao abordar o tema, defendeu maior liberdade para que os trabalhadores organizem suas jornadas.

Segurança pública e combate ao crime organizado

Na área da segurança, Flávio prometeu classificar o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações narcoterroristas. Entretanto, não detalhou quais mudanças práticas seriam adotadas para combater essas facções.

O parlamentar também defendeu alterações na legislação sobre armas, com o objetivo de facilitar o acesso da população a armamentos.

“O problema é que as armas estão nas mãos das pessoas erradas”, afirmou.

Durante a entrevista, ele evitou aprofundar sua posição sobre uma proposta que retiraria a identificação de cápsulas de munição utilizadas pelas forças de segurança. Esse tipo de marcação pode auxiliar investigações e a identificação da origem de cartuchos.

Questionado sobre sua relação com políticos do Rio de Janeiro mencionados em investigações relacionadas ao crime organizado, entre eles o ex-deputado Rodrigo Bacellar e o deputado eleito Márcio Canella, Flávio disse ter ficado surpreso com as suspeitas envolvendo pessoas de seu círculo político.

O senador afirmou que os investigados têm direito à ampla defesa, mas ressaltou que eventuais culpados não devem ser poupados pela Justiça.

Financiamento de filme e relação com Vorcaro

A relação de Flávio com Daniel Vorcaro, ex-banqueiro preso, também foi abordada na sabatina. O senador voltou a afirmar que os recursos associados ao financiamento do filme Dark Horse, produção sobre Jair Bolsonaro, não envolveram irregularidades.

Segundo Flávio, o nome de Vorcaro surgiu durante a busca por investidores para o projeto. O parlamentar afirmou que o empresário concordou em participar quando ainda não havia suspeitas relacionadas ao banco Master.

O conteúdo apresentado na entrevista também apontou que a busca por recursos continuou mesmo após a divulgação de suspeitas de fraude envolvendo a instituição financeira.

Dados do Inpe contradizem declaração sobre queimadas

Ao comentar a situação ambiental, Flávio acusou o governo federal de registrar números recordes de queimadas na Amazônia.

“Esse foi o outubro com maior queimada na história da nação brasileira”, declarou.

Entretanto, os dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) citados no levantamento mostram que, até 15 de outubro, foram registrados 9.544 focos de calor na Amazônia. O número, conforme a comparação apresentada no material, ficou abaixo dos maiores índices históricos da série, monitorada desde 1989.

Proposta prevê fim da reeleição presidencial

Flávio reafirmou que pretende acabar com a possibilidade de reeleição para a Presidência da República. Segundo ele, apresentou a ideia de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC), mas deixou em aberto a duração do mandato presidencial.

“Partiu de mim apresentar uma Proposta de Emenda à Constituição onde acaba a reeleição para presidente. E aí depende do congresso a duração do mandato, se vai ser de quatro anos ou não”, afirmou.

O senador também defendeu que parentes do presidente até o terceiro grau sejam impedidos de disputar a eleição seguinte. A proposta, segundo ele, poderia valer já para o próximo mandato presidencial.

Aos 45 anos, Flávio declarou não ter apego ao poder. O parlamentar soma 23 anos de atuação em mandatos eletivos como deputado estadual e senador.

Economia: venda de imóveis e exploração de petróleo

Na economia, Flávio defendeu reduzir em mais de R$ 200 bilhões a dívida da União. Uma das medidas mencionadas seria a venda de imóveis públicos abandonados.

O senador também estimou que a exploração de petróleo na Margem Equatorial poderia gerar “R$ 100 bilhões de largada”. A projeção foi apresentada apesar de a Petrobras indicar que a exploração comercial não começaria antes de 2033.

Outra promessa foi extinguir pelo menos dez ministérios. Ao defender a redução da estrutura administrativa, Flávio citou a gestão do pai, afirmando que ela havia cortado milhares de cargos comissionados.

O material também menciona uma checagem anterior do UOL segundo a qual o número desses cargos aumentou durante o governo Jair Bolsonaro, passando de 31,8 mil em 2019 para 46,2 mil em 2022.

Flávio almoçou com diretores da Globo antes da sabatina

Horas antes da entrevista, Flávio Bolsonaro participou de um almoço com executivos do Grupo Globo. A emissora confirmou o encontro, que reuniu o presidente do grupo, José Roberto Marinho, e o vice-presidente de Relações Institucionais, Paulo Tonet.

Em nota, a Globo informou que nenhum integrante do departamento de jornalismo participou da reunião. A empresa também declarou que encontros institucionais com candidatos fazem parte de sua rotina.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), adversário de Flávio na disputa presidencial, demonstrou incômodo com a notícia. Lula havia sido entrevistado pela emissora no dia 14, sem participar de um almoço prévio com seus diretores.

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