
Raíssa Sotero (Foto: Divulgação)
PAULISTA (PE) – A morte de Raíssa Sotero Rezende, de 14 anos, marcou a história de uma família de Paulista, na Região Metropolitana do Recife, em Pernambuco. A adolescente foi assassinada em 25 de junho de 2019, após ser atraída para a Praia de Maria Farinha. O crime envolveu duas adolescentes e teve como uma das principais motivações apontadas pelas investigações o ciúme relacionado ao antigo relacionamento de Raíssa.
Estudante da Escola Municipal João Alfredo, Raíssa era descrita por familiares e amigos como uma jovem carinhosa, brincalhona e tranquila. A adolescente havia mantido um relacionamento com outra garota, então com 15 anos, por aproximadamente um ano e meio.
De acordo com o relato apresentado sobre o caso, a relação teria sido marcada por comportamentos de controle, ameaças e episódios de violência física e psicológica. A família chegou a procurar o Conselho Tutelar e a polícia diante das mudanças no comportamento da adolescente.
Término foi seguido por ameaças
O relacionamento terminou cerca de dois meses antes do assassinato. Mesmo após a separação, Raíssa teria continuado sendo perseguida e ameaçada pela ex-namorada, que não aceitava o fim da relação.
Antes disso, a adolescente havia se afastado da família e dos estudos. Em uma ocasião, chegou a passar 20 dias fora de casa junto da namorada, aumentando a preocupação dos pais.
As tentativas da família de interromper a situação, porém, não foram suficientes para evitar o desfecho trágico.
Adolescentes foram apreendidas no mesmo dia

Adolescentes apreendidas pelo crime. (Fotos: Reprodução)
Na manhã de 25 de junho, Raíssa foi levada até a Praia de Maria Farinha, onde acabou sendo atacada pela ex-namorada, de 15 anos, e por outra adolescente, de 16.
O crime foi registrado pelas agressoras em vídeo. As imagens posteriormente circularam pelas redes sociais, provocando ainda mais repercussão e levando as autoridades a investigar também a divulgação do conteúdo.
As duas adolescentes foram apreendidas no mesmo dia e encaminhadas à Fundação de Atendimento Socioeducativo (Funase).
Uma delas já possuía registros de atos infracionais, incluindo roubo e tentativa de homicídio, e cumpria medida socioeducativa em regime de semiliberdade.
Família recebeu notícia por vídeo
A família de Raíssa foi profundamente atingida pela morte da adolescente. O pai descobriu o ocorrido ao se deparar com o vídeo que circulava nas redes sociais enquanto estava em uma lanchonete.

Sepultamento de adolescente. (Fotos: Reprodução)
A mãe, Gerlane Sotero, precisou receber atendimento médico no Instituto Médico Legal (IML) diante do impacto da notícia. Posteriormente, ela participou de manifestações por justiça e afirmou:
“O que fizeram com a minha filha foi uma crueldade. Ela não merecia isso. Tinha a vida toda pela frente.”
O corpo de Raíssa foi encaminhado ao IML do Recife e sepultado em 26 de junho de 2019, no Cemitério de Santo Amaro. Colegas da escola prestaram homenagens à adolescente e destacaram as lembranças de sua personalidade alegre e afetuosa.
Manifestação pediu justiça
Em 1º de julho daquele ano, familiares e amigos realizaram uma manifestação no Recife. Os participantes carregaram cartazes pedindo a manutenção das autoras do crime em internação até a maioridade.
O caso ganhou repercussão nacional e levantou discussões sobre violência em relacionamentos entre adolescentes, comportamento abusivo, medidas socioeducativas e a circulação de conteúdos violentos nas redes sociais.
Caso virou alerta sobre violência juvenil
A história de Raíssa também passou a ser lembrada em conteúdos sobre crimes reais, podcasts e programas de televisão. A repercussão reforçou o debate sobre a necessidade de identificar sinais de relacionamentos abusivos e situações de violência ainda na adolescência.
Anos depois do crime, a memória da adolescente permanece associada ao debate sobre prevenção da violência e à importância da atenção de familiares, educadores e responsáveis diante de sinais de abuso, ameaças ou controle em relacionamentos juvenis.







