
Cidade e Serafim registram chapa ao Governo do Amazonas (Foto: Divulgação)
MANAUS (AM) — O governador interino do Amazonas, Roberto Cidade (União Brasil), formalizou nesta quarta-feira (15) sua candidatura à eleição indireta que definirá o chamado “governo tampão” do estado. Na mesma ocasião, anunciou o deputado estadual Serafim Corrêa (PSB) como vice na chapa.
O registro foi realizado durante coletiva de imprensa na sede da Assembleia Legislativa do Amazonas, em Manaus, marcando a primeira candidatura oficial desde a publicação do edital do pleito. O prazo para inscrição de chapas segue aberto até esta quinta-feira (16).
A eleição está prevista para o dia 4 de maio e será conduzida de forma indireta pelos deputados estaduais. De acordo com as regras aprovadas pelo parlamento, a votação será aberta e nominal. Para vencer em primeiro turno, a chapa precisa obter maioria absoluta dos votos. Caso contrário, haverá segundo turno entre os dois mais votados, decidindo-se por maioria simples. Em caso de empate, novas votações serão realizadas e, persistindo a igualdade, o resultado será definido por sorteio.
O processo eleitoral foi convocado após a renúncia do então governador Wilson Lima (União Brasil) e do vice Tadeu de Souza (Progressistas), oficializada no início de abril. Como a vacância ocorreu na segunda metade do mandato, a Constituição estadual determina a realização de eleição indireta.
Até a definição do novo chefe do Executivo, Roberto Cidade permanece à frente do governo de forma interina. Nos bastidores, sua candidatura é vista como resultado de um movimento articulado com diferentes forças políticas, buscando estabilidade institucional e alinhamento para o período de transição.
A escolha de Serafim Corrêa como vice também é interpretada como estratégica. Com trajetória consolidada na política amazonense — incluindo mandato como prefeito de Manaus e atuação no Legislativo estadual —, o parlamentar agrega experiência administrativa e interlocução com diferentes setores.
Além de definir o comando do Executivo até o fim do mandato, a eleição tampão também é observada como um indicativo relevante para o cenário político mais amplo, especialmente diante das movimentações já em curso visando as eleições estaduais.
Artuculações
Nos bastidores, o atual presidente da Casa, Roberto Cidade, desponta como principal articulador político no processo. Após um desempenho abaixo do esperado na eleição municipal de 2024, quando ficou fora do segundo turno, o parlamentar se reposicionou estrategicamente e fortaleceu sua base de apoio dentro e fora da Aleam.
Fontes ouvidas pelo Diário Manauara indicam que Cidade buscou alinhamento com lideranças de peso no cenário político estadual, entre elas o senador Eduardo Braga (MDB). A aproximação chama atenção pelo contexto atual: Braga é adversário político do ex-governador Wilson Lima, e ambos disputam espaço visando a corrida eleitoral, especialmente no interior do estado, onde o peso do voto tende a ser decisivo.
A movimentação também incluiu diálogo com o senador Omar Aziz, em reuniões descritas como produtivas e sem tensão. Segundo interlocutores, foram discutidas condições para garantir estabilidade política e evitar entraves partidários, principalmente diante das recentes mudanças nas bancadas da Aleam, com crescimento de MDB e PSDB.
Outro nome que surge no cenário é o de Sarafim Corrêa, apontado como possível aliado na composição da chapa. Com trajetória consolidada na administração pública — incluindo passagens como prefeito, deputado estadual e secretário de Estado —, ele é visto como um nome de consenso e de boa aceitação interna.
Apesar das disputas partidárias e rearranjos políticos, a tendência, até o momento, é de uma eleição com baixa competitividade real, consolidando uma vitória praticamente encaminhada da chapa liderada por Cidade. Ainda assim, analistas avaliam que o processo é estratégico, pois pode influenciar diretamente a construção de alianças para a eleição ao Governo do Amazonas.
O cenário permanece aberto e sujeito a mudanças, especialmente diante da volatilidade política típica de anos eleitorais. A eleição na Aleam, embora pontual, pode definir rumos importantes para as articulações que culminarão nas urnas em outubro.







