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Política

Entre discursos e ambições, a Aleam entra em modo eleição

Quem trabalha pelo Amazonas e quem só aquece o palanque de 2026?

Entre discursos e ambições, a Aleam entra em modo eleição

Mensagem Governamental apresentada pelo governador Wilson Lima (Foto: Hudson Fonseca/Aleam)

Manaus (AM) – A reabertura dos trabalhos legislativos da Assembleia Legislativa do Amazonas, ocorrida na terça-feira (3), confirmou o que os bastidores já antecipavam: o ano começou com discurso protocolar, promessas conhecidas e um plenário claramente contaminado pelo calendário eleitoral. A mensagem governamental seguiu o script tradicional, exaltando entregas e anunciando compromissos futuros, sem enfrentar de forma direta os entraves estruturais do Estado.

Após um longo recesso, os deputados retornam ao plenário com agendas intensas dentro e fora da Aleam. Não por acaso. O ano eleitoral transforma cada sessão em palanque e quase todos os parlamentares se comportam como pré-candidatos. Para alguns, a Aleam já não é ponto de chegada, mas trampolim para voos mais altos, sobretudo rumo à Câmara Federal, onde a disputa pelas oito vagas do Amazonas promete ser uma das mais duras dos últimos ciclos eleitorais.

O Senado Federal, no entanto, segue como o prêmio mais cobiçado. Nomes como o do capitão Alberto Neto ganham musculatura política, enquanto o governador Wilson Lima permanece como peça central do xadrez. A dúvida é estratégica e com prazo definido: renunciar ao cargo até abril para disputar o Senado ou permanecer no governo e articular sua sucessão. A decisão pode significar tanto o encerramento de um ciclo quanto a consolidação de um grupo político para além de 2026.

Nos corredores do poder, a expectativa é que a narrativa do governo siga ancorada na gestão e nas entregas possíveis enquanto a máquina estadual ainda está sob controle. O desafio, porém, é manter aliados fiéis sem a caneta na mão, em um parlamento conhecido não apenas pelo custo elevado ao erário, mas pela fluidez das lealdades políticas.

O almoço que reuniu o governador e 18 deputados da base aliada foi revelador. Ali ficou evidente que o debate vai muito além de projetos de interesse coletivo. Emendas parlamentares, liberação de recursos e estratégias de sobrevivência eleitoral dominam a pauta. Em um cenário cada vez mais competitivo, cada investimento público acaba sendo lido também como combustível de campanha.

Somam-se a isso as movimentações partidárias silenciosas. Trocas de legenda, reposicionamentos estratégicos e negociações de bastidores indicam que o controle das siglas e o alinhamento para as eleições majoritárias seguem indefinidos. Figuras como Omar Aziz e David Almeida continuam orbitando o debate, enquanto alianças se redesenham conforme a conveniência do momento.

Ao fim, a reabertura dos trabalhos legislativos deixa um recado claro: o ano político começou oficialmente no dia 3 de fevereiro, mas o eleitor amazonense ainda aguarda respostas que ultrapassem o discurso. Entre promessas e ambições pessoais, a pergunta permanece — quem está governando e legislando para o Amazonas, e quem apenas já entrou em campanha?

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